Câmbio

Dólar sobe após payroll americano e pressiona importadores brasileiros

Por Sérgio Monteiro · 24 de julho de 2026 · Atualizado em 24 de julho de 2026

O dólar fechou a R$ 5,38 nesta quinta-feira, alta de 1,2% na sessão. O gatilho foi o relatório de emprego americano de junho, que mostrou criação de 287 mil vagas — bem acima das 220 mil esperadas pelo mercado. O número reforça a narrativa de que a economia americana está resiliente e que o Federal Reserve pode manter os juros elevados por mais tempo.

Para os importadores brasileiros, a notícia é ruim. Um dólar mais caro encarece matérias-primas, componentes e equipamentos importados. Setores como eletrônica, química e farmacêutica, que dependem de insumos importados, vão sentir pressão nas margens.

O impacto na inflação

A alta do dólar tem efeito inflacionário, mas o tamanho do impacto depende de quanto tempo a moeda americana fica no patamar elevado. Uma alta pontual de um ou dois dias tende a ser absorvida pelas empresas. Uma alta persistente acaba sendo repassada aos preços ao consumidor.

O Banco Central monitora de perto o câmbio justamente por esse canal. Se o dólar se firmar acima de R$ 5,50 por tempo prolongado, o BC pode intervir no mercado de câmbio para conter a volatilidade — não para defender um nível específico, mas para evitar disfuncionalidade.

Para o exportador, a história é diferente

Quem exporta, por outro lado, comemora. Um dólar mais caro significa mais reais por cada dólar recebido. O agronegócio, principal setor exportador do Brasil, tende a se beneficiar diretamente. Parte da explicação para o bom desempenho das ações de empresas do agro no Ibovespa nesta semana passa por esse câmbio mais favorável.

Sérgio Monteiro

Editor de Mercados

Economista de formação, jornalista por vocação. Cobre câmbio, bolsa e mercados internacionais.