Safra recorde de soja impulsiona exportações mas preços internacionais preocupam
O Brasil deve encerrar a safra 2025/26 de soja com produção de 165 milhões de toneladas, novo recorde histórico. O número, divulgado pela Conab na semana passada, representa crescimento de 8% em relação à safra anterior e consolida o Brasil como maior produtor mundial da oleaginosa.
O volume recorde impulsionou as exportações: nos primeiros seis meses de 2026, o Brasil exportou 56 milhões de toneladas de soja em grão, alta de 12% sobre o mesmo período de 2025. O resultado ajudou a manter a balança comercial superavitária e contribuiu para a relativa estabilidade do câmbio no primeiro semestre.
O problema dos preços
Mas há uma nuvem no horizonte. Os preços internacionais da soja recuaram 15% nos últimos doze meses, pressionados justamente pelo excesso de oferta global. O Brasil produz mais, mas recebe menos por tonelada. Para os produtores, a equação é cada vez mais apertada.
"Produzimos mais do que nunca, mas a margem está comprimida. O custo de produção subiu com os insumos importados e o preço da soja caiu. Não é uma situação confortável." — produtor rural do Mato Grosso, em conversa com a redação.
O câmbio tem sido um amortecedor importante. Com o dólar a R$ 5,38, os produtores recebem mais reais por tonelada do que receberiam com um câmbio a R$ 4,80. Mas se o dólar recuar e os preços internacionais continuarem pressionados, a situação pode se tornar mais difícil.
Perspectivas para o segundo semestre
A colheita da safra de inverno — milho e algodão, principalmente — deve complementar o bom desempenho do agro no segundo semestre. Os analistas do setor projetam que o agronegócio vai responder por cerca de 28% do PIB em 2026, repetindo o desempenho recorde de 2025.